Ricardo Matias Rodrigues*

RESUMO: Este artigo tem como objetivo mostrar a evolução crescente do Novo Cangaço no cenário da criminalidade violenta brasileira, desde sua origem periférica, no sertão nordestino, até o surgimento de uma inédita e emergente modalidade do crime organizado em nível nacional: o Domínio de Cidades. O trabalho traça, ainda, reflexões sobre as consequências nefastas que deverão afetar grande parte da população em um breve futuro, caso medidas policiais e judiciárias urgentes e integradas não sejam tomadas.

1 – INTRODUÇÃO
As ações do Cangaço, termo que se refere à insurgência armada que atuou no Nordeste brasileiro, sob a justificativa de combater injustiças sociais, envolveram violência que deixou marcas indeléveis no imaginário sertanejo, espalhando-se como modalidade criminosa para o resto do país. É um fenômeno de banditismo universal, conforme Frederico Pernambucano de Mello2.
Virgulino Ferreira, o Lampião, líder e expoente máximo do controverso movimento marginal do Brasil à época, potencializou o alcance de invasões, saques e assassinatos em nível nacional. Foi romanceado, cantado, filmado, pintado, louvado e, inclusive, execrado em verso e prosa. E ainda noticiado em publicações midiáticas espetaculosas, que mostraram a força do poder público: combateu e cortou o mal pela raiz, decapitou e criou mártires.
Seria bom que Lampião e seus seguidores descansassem em paz nas páginas de importante capítulo da História brasileira. Porém, a dinâmica de acontecimentos criminosos em cadeia não é tão simples assim. Na verdade, é bem complexa.

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