<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Alpha Bravo Brasil</title>
	<atom:link href="https://www.alphabravobrasil.com.br/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://www.alphabravobrasil.com.br</link>
	<description>Tudo sobre Segurança Pública, Facções Criminosas, Tráfico e Contrabandos</description>
	<lastBuildDate>Mon, 26 Jun 2023 02:10:35 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.0.5</generator>
	<item>
		<title>CONVERGÊNCIA E HIBRIDIZAÇÃO CRIMINAL E A TEORIA DA COMPLEXIDADE</title>
		<link>https://www.alphabravobrasil.com.br/convergencia-e-hibridizacao-criminal-e-a-teoria-da-complexidade/</link>
					<comments>https://www.alphabravobrasil.com.br/convergencia-e-hibridizacao-criminal-e-a-teoria-da-complexidade/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lucelio Franca]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Jun 2023 02:06:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Segurança pública]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.alphabravobrasil.com.br/?p=7123</guid>

					<description><![CDATA[CONVERGÊNCIA E HIBRIDIZAÇÃO CRIMINAL E A TEORIA DA COMPLEXIDADE A teoria da complexidade, que se originou nos campos da física e da biologia, tem sido cada vez mais aplicada a uma variedade de disciplinas, incluindo a criminologia. Esta teoria sugere que os sistemas complexos, como as redes criminais, são caracterizados por interações não lineares e [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>CONVERGÊNCIA E HIBRIDIZAÇÃO CRIMINAL E A TEORIA DA COMPLEXIDADE</p>



<p>A teoria da complexidade, que se originou nos campos da física e da biologia, tem sido cada vez mais aplicada a uma variedade de disciplinas, incluindo a criminologia. Esta teoria sugere que os sistemas complexos, como as redes criminais, são caracterizados por interações não lineares e dinâmicas entre seus componentes, o que pode levar a comportamentos emergentes e imprevisíveis. A aplicação da teoria da complexidade ao estudo da hibridização e convergência criminal oferece uma perspectiva inovadora e valiosa para a compreensão desses fenômenos emergentes.<br>A hibridização criminal, que se refere à fusão de diferentes formas de atividades criminosas, pode ser interpretada como um comportamento emergente dentro de uma rede criminal complexa. Na teoria da complexidade, os sistemas são caracterizados por interações não lineares entre seus componentes, levando a comportamentos que não são facilmente previsíveis a partir do estudo de seus componentes individuais. Assim, a hibridização criminal pode ser vista como um produto dessas interações complexas e dinâmicas.<br>Por outro lado, a convergência criminal, que se refere à tendência de diferentes grupos criminosos se unirem para realizar atividades ilícitas, pode ser vista como um exemplo de auto-organização, um conceito central na teoria da complexidade. A auto-organização refere-se ao processo pelo qual a ordem global emerge de interações locais entre os componentes de um sistema. Nesse sentido, a convergência criminal pode ser vista como o resultado da auto-organização dentro de uma rede criminal complexa.<br>No entanto, a natureza complexa e dinâmica das redes criminais implica que a hibridização e a convergência criminal podem ser difíceis de prever e combater. Isso sugere a necessidade de abordagens adaptativas e flexíveis para a aplicação da lei e a prevenção do crime, que podem responder às mudanças nas táticas e estratégias criminais.<br>Além disso, a teoria da complexidade sugere que a hibridização e a convergência criminal podem ser influenciadas por fatores em múltiplos níveis &#8211; desde o comportamento individual dos criminosos até as condições sociais e econômicas mais amplas. Isso destaca a necessidade de uma abordagem multifacetada para combater esses fenômenos, que aborda tanto os fatores individuais quanto os estruturais que contribuem para a hibridização e a convergência criminal.</p>



<p>Lucélio&nbsp;frança.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img width="898" height="1200" src="https://www.alphabravobrasil.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-do-WhatsApp-de-2023-06-24-as-22.04.02-898x1200.jpg" alt="" class="wp-image-7124" srcset="https://www.alphabravobrasil.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-do-WhatsApp-de-2023-06-24-as-22.04.02-898x1200.jpg 898w, https://www.alphabravobrasil.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-do-WhatsApp-de-2023-06-24-as-22.04.02-224x300.jpg 224w, https://www.alphabravobrasil.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-do-WhatsApp-de-2023-06-24-as-22.04.02-112x150.jpg 112w, https://www.alphabravobrasil.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-do-WhatsApp-de-2023-06-24-as-22.04.02-768x1027.jpg 768w, https://www.alphabravobrasil.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-do-WhatsApp-de-2023-06-24-as-22.04.02-610x815.jpg 610w, https://www.alphabravobrasil.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-do-WhatsApp-de-2023-06-24-as-22.04.02.jpg 903w" sizes="(max-width: 898px) 100vw, 898px" /></figure>



<p>REFERÊNCIAS:</p>



<p>VISACRO, Alessandro. A guerra na Era da Informação. Editora Contexto, 2018.</p>



<p>PRIGOGINE, Ilya; NICOLIS, Grégoire. Auto-organização. Sistema de não-equilíbrio , 1977.</p>



<p>HAKEN, Hermann. Information and self-organization: A macroscopic approach to complex systems. Springer Science &amp; Business Media, 2006.</p>



<p>JOHNSON, N. Simply Complexity: A Clear Guide to Complexity Theory. Oneworld Publications,&nbsp;2009.</p>
<span class="et_bloom_bottom_trigger"></span>]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.alphabravobrasil.com.br/convergencia-e-hibridizacao-criminal-e-a-teoria-da-complexidade/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Do céu, pétalas, na terra, uma tortuosa jornada</title>
		<link>https://www.alphabravobrasil.com.br/do-ceu-petalas-na-terra-uma-tortuosa-jornada/</link>
					<comments>https://www.alphabravobrasil.com.br/do-ceu-petalas-na-terra-uma-tortuosa-jornada/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lucelio Franca]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 May 2021 10:04:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Segurança pública]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.alphabravobrasil.com.br/?p=5603</guid>

					<description><![CDATA[]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="et_pb_section et_pb_section_0 et_section_regular">
				
				
				
				
					<div class="et_pb_row et_pb_row_0">
							<div class="et_pb_column et_pb_column_4_4 et_pb_column_0    et_pb_css_mix_blend_mode_passthrough et-last-child">
				
				
				<div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_0 et_pb_bg_layout_light  et_pb_text_align_left">
				
				
				<div class="et_pb_text_inner">
					<p>Do céu, pétalas, na terra, uma tortuosa jornada</p>



<p>O inspetor Chichorro junto com seu parceiro acabam de sair do setor de material, localizado na chefatura da Polícia Civil, onde foram apanhar três resmas de papel A4 para abastecer as impressoras da delegacia, quando cruzam com uma senhora no penumbroso corredor daquele decadente prédio. Nesse instante, ela toca no braço de seu colega, e o chama pelo nome: Tito. Transcorrem alguns segundos embaraçosos, suficientes para evidenciar que ela não foi reconhecida de imediato. Sem graça, mas com sensível percepção, ela toma a iniciativa e “quebra o gelo”: sou eu, Geraldina, viúva de Guaiacy. </p>



<p>A revelação impacta a dupla, embora ambos tentem disfarçar, cada qual a sua maneira, quão espantados ficam com a aparência daquela esquálida pessoa. Tito, refeito do susto, busca contornar a situação e, com gentileza, indaga o que ela faz ali. Então, aquela senhora explica que era a sétima vez que fora ao setor de recursos humanos, situado no outro extremo do mesmo andar, para tentar obter informações acerca de quando passaria a receber a pensão a que teria direito. </p>



<p>Explica que desde a abrupta partida de seu companheiro vem passando certa dificuldade para manter sozinha a família. Inesperadamente seus olhos ficam marejados, todavia, cessa a narrativa quando percebe seu desequilíbrio emocional. Fica perceptível não querer devassar em demasia sua situação atual. O assunto não se alonga além dos primeiros passos na calçada já fora daquele edifício. Após um fraterno abraço dado por Tito, e a recusa da carona oferecida, ela caminha sozinha pela estreita rua que a levará até a Central do Brasil, onde terá mais opções de condução. </p>



<p>O fortuito reencontro abala os dois, que retornam silenciosos na viatura ostensiva depois daquela burocrática diligência para apanhar alguns pacotes de papel, cedidos a conta-gotas que não darão para quinze dias de trabalho. Chichorro pensativo, ao lado do motorista, relembra em detalhes a cena testemunhada oito meses atrás no Cemitério do Caju, localizado na zona norte do Rio de Janeiro, quando acompanhou seu colega de trabalho, amigo do falecido, violentamente assassinado em serviço. No entanto, mesmo sem conhecer o policial ali sendo velado, a visão era tocante, a emoção contagiante. </p>



<p>O núcleo familiar presente, constituído pela viúva, uma mulher de meia-idade de bonita aparência, elegante postura, e a sua volta três crianças, sendo duas meninas e um menino, seguem junto ao caixão do pai amado. O barulho da comoção é abafado repentinamente pelo voo rasante do helicóptero Águia da Polícia Civil, de onde são lançadas pétalas de rosas sobre o cortejo. O som alto incomoda, embora o efeito visual fosse vistoso. O comboio para em frente à cova aberta. </p>



<p>Antes de todos, o representante do estado, o subsecretário de segurança púbica profere discurso recheado de palavras de impacto, mas essencialmente protocolar, possivelmente já utilizado em outras ocasiões tragicamente similares. Promete agir com rigor na caçada dos criminosos, punir culpados pela atrocidade, mas estrategicamente, se mostra complacente com o coordenador-geral da operação policial mal planejada, sem qualquer objetivo real, com o escopo meramente de uso político para autopromoção do governo do qual fazia parte, que resultou na morte de um agente público e na invalidez permanente de outro. </p>



<p>Encerra sua fala, teatraliza, presta condolências à família, momento em que é clicado pelas lentes de sua equipe de fotógrafos. Retira-se cercado por vários seguranças, antes das orações se iniciarem. O enterro segue seu curso normal, Pai Nosso, Ave Maria são rezados. Até policiais durões não seguram o choro. Guaiacy, matrícula bem antiga, era sujeito querido entre seus pares, percebe-se, o local estava lotado. Comenta-se nos pequenos círculos formados que restavam poucos anos para ele se aposentar, entrara muito cedo na polícia. Os coveiros descem o esquife, é a senha para, aos poucos, as pessoas irem se retirando. </p>



<p>A terra vai sendo jogada até o caixão estar completamente coberto. Tito permanece, presta seu último ato de solidariedade à família. Despede-se, beija na cabeça de cada criança inconsolável. Sabia o quanto seu amigo se sacrificara para cuidar da prole e de sua companheira. Caminhando em direção à viatura estacionada próximo, conta que Guaiacy há muitos anos se desdobrava em conciliar o ‘bico” de chefe de uma boate em Copacabana com a atividade policial. </p>



<p>Diz que ele dormia no máximo quatro horas por dia, era sujeito correto, arrimo de família, e que a esposa, apesar de ser pedagoga por formação, desenvolvera depressão, não mais conseguindo se manter no emprego. Chichorro deduz o terrível abandono a que a família de um agente do Estado, morto em serviço, estava passando. Imagina, visualiza, sussurra: do céu, pétalas, na terra, uma tortuosa jornada. </p>



<p>Hélio C. Freitas Filho, agente de polícia federal, carioca, casado, radicado no Espírito Santo, Bacharel em Direito e Administração.</p>
				</div>
			</div> <!-- .et_pb_text -->
			</div> <!-- .et_pb_column -->		
				
				
			</div> <!-- .et_pb_row -->	
				
				
			</div> <!-- .et_pb_section --><span class="et_bloom_bottom_trigger"></span>]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.alphabravobrasil.com.br/do-ceu-petalas-na-terra-uma-tortuosa-jornada/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Captura: uma missão de persistência, automotivação e atenção</title>
		<link>https://www.alphabravobrasil.com.br/captura-uma-missao-de-persistencia-automotivacao-e-atencao/</link>
					<comments>https://www.alphabravobrasil.com.br/captura-uma-missao-de-persistencia-automotivacao-e-atencao/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lucelio Franca]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Apr 2021 14:19:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Segurança pública]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.alphabravobrasil.com.br/?p=5598</guid>

					<description><![CDATA[Captura: uma missão de persistência, automotivação e atenção Exaurido em virtude de seu último trabalho, que o exigiu ininterrupta dedicação por quase dois anos e meio, o agente Rodrigues se agarrou à primeira oportunidade surgida e se voluntariou para uma missão no estado de Rondônia. Avaliou que conseguiria conciliar a saudável mudança de rotina, e [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Captura: uma missão de persistência, automotivação e atenção</p>



<p>Exaurido em virtude de seu último trabalho, que o exigiu ininterrupta dedicação por quase dois anos e meio, o agente Rodrigues se agarrou à primeira oportunidade surgida e se voluntariou para uma missão no estado de Rondônia. Avaliou que conseguiria conciliar a saudável mudança de rotina, e ao mesmo tempo conhecer mais uma unidade da federação, ampliar seu universo cultural e vivência profissional. Descanso não era o que procurava, sabia que sendo trabalhador compulsivo, logo iria se envolver em mais uma empreitada. </p>



<p>Previsão confirmada, lá estava ele há cerca de três meses em solo rondoniense formando parceria com o também agente Marcos, lotado na capital Porto Velho, e por coincidência seu contemporâneo de curso de formação na Polícia Federal. A dupla entrosada se encontra nesse exato instante dentro de uma viatura descaracterizada, um Gol bolinha antigo, à espreita de mais um foragido. Na mira de atenção está um imóvel discretamente observado pelo lado de fora, que segundo levantamento feito, é a residência dos pais do indivíduo condenado pela justiça a catorze anos de prisão em regime fechado por tráfico de entorpecentes. No momento em que fora publicada sua sentença em definitivo, o traficante sumira do mapa, escafedeu-se, e desde então já haviam se passado quatro anos. </p>



<p>A dupla tem consciência de que a ausência de efetividade de uma ordem legal no campo penal se deve a vários fatores, mas dois principais se destacam; o grande lapso de tempo transcorrido desde o início do processo judicial, recheado de incontáveis recursos, até seu aparente desfecho, e a não priorização como política governamental, sob a premissa de que a polícia prende muito. Em geral, quem integra os quadros da segurança pública sabe muito bem que se tal argumento fosse verdadeiro, não haveria um número tão elevado de foragidos. Ainda assim, os dois agentes não se abalam, otimistas, identificam razoável avanço no serviço, afinal de contas conseguiram extrair de um vizinho falador, que o fujão, de tempos em tempos, vinha visitar sua família, e até estaria usando uma motocicleta. Não é muita coisa, os dados são imprecisos. </p>



<p>O jeito era campanar (observar com discrição nas imediações), e lá novamente estão os dois, depois de incontáveis idas e vindas, nos mais diversos horários, até aquele mesmo endereço, localizado na periferia da cidade. Muitas tentativas em vão. Dessa vez, a diligência é no período vespertino. O serviço de captura exige persistência, automotivação e atenção. Não se pode relaxar, o risco é constante. A presença de um veículo estacionado por muito tempo no mesmo lugar pode aguçar a curiosidade dos vizinhos, intrigar outras forças policiais, inquietar outros bandidos da região. Ser abordado dentro de um automóvel é circunstância desvantajosa, e às vezes deriva para inesperados resultados, não raro haver registros trágicos a respeito. </p>



<p>Para chamar menos atenção, se opta por desligar o carro de vidros “insulfilmados”, até porque a viatura não dispunha de ar condicionado, todavia permanecer de janelas fechadas no clima abafado, de calor insuportável da cidade nortista é tarefa insalubre. Uma hora de vigilância transcorre sem qualquer sinal de movimentação na casa. Os efeitos do crepúsculo começam a ser percebidos, a baixa claridade das ruas mal iluminadas piora a situação, os policiais resolvem se retirar, mas, eis que justamente nesse momento o portão da garagem abre. Percebe-se um sujeito em cima de uma motocicleta, que tão logo desce da calçada, arranca em disparada na via pública. </p>



<p>Marcos, atento, gira a chave na ignição, ouve-se o motor, segue rapidamente no encalço da moto, tendo o cuidado de não ser notado pelo “piloto” de capacete. Não é possível ter certeza ser o alvo. O sinal mais a frente fecha, a motocicleta fica retida, viatura breca alguns carros atrás. A rara oportunidade surge, é grande a chance de se perder o rastro da moto no confuso trânsito. Rodrigues decide, abre a porta, salta, corre com arma em punho, distintivo no peito, alcança o motociclista, para quem grita: “Polícia Federal. Bota a mão na cabeça, Boi Lelé”! Inesperadamente o sujeito, antes mesmo de tirar o capacete, pronuncia vagarosamente cada uma das sílabas: “m me meu no no nome é Reg g g reginaldodo”. </p>



<p>Tamanha demora em verbalizar a frase preocupa Rodrigues. Supõe que o inocente abordado fosse ter uma sincope, ao mesmo tempo em que percebe o erro do bote malfadado. Logo tenta acalmá-lo: “pode falar seu nome normalmente”. O cidadão explica: “eu falo assim mesmo, eu sou gago’. Duplo furo. Após sinceras desculpas, em meio ao trânsito barulhento das buzinas dos veículos que passam ao redor, consegue-se contornar o episódio, e incrivelmente convencer Reginaldo, inquilino naquele imóvel vigiado, a se tornar informante. Dias depois, o recém recrutado comunica que o traficante estava no imóvel visitando seus pais. Dessa vez o ataque é certeiro. Boi Lelé finalmente iria cumprir sua pena. </p>



<p>Hélio C. Freitas Filho, agente de polícia federal, carioca, casado, radicado no Espírito Santo, Bacharel em Direito e Administração.</p>
<span class="et_bloom_bottom_trigger"></span>]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.alphabravobrasil.com.br/captura-uma-missao-de-persistencia-automotivacao-e-atencao/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Conflito Negativo de Competência</title>
		<link>https://www.alphabravobrasil.com.br/conflito-negativo-de-competencia/</link>
					<comments>https://www.alphabravobrasil.com.br/conflito-negativo-de-competencia/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lucelio Franca]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Feb 2021 17:15:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Segurança pública]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.alphabravobrasil.com.br/?p=5590</guid>

					<description><![CDATA[Estava sendo um dia arrastado de trabalho, muita papelada, algumas infrutíferas diligências, assim seguia o enfadonho compasso da segunda-feira. Inspetor Chichorro torcia para que os ponteiros do relógio andassem mais rápido, mas ainda era meia noite, restava mais de um quarto de plantão. Além do que, as portas daquela delegacia não cerravam jamais, a rua [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image"><img loading="lazy" width="702" height="437" src="https://www.alphabravobrasil.com.br/wp-content/uploads/2021/02/images-4.jpeg" alt="" class="wp-image-5591" srcset="https://www.alphabravobrasil.com.br/wp-content/uploads/2021/02/images-4.jpeg 702w, https://www.alphabravobrasil.com.br/wp-content/uploads/2021/02/images-4-150x93.jpeg 150w, https://www.alphabravobrasil.com.br/wp-content/uploads/2021/02/images-4-300x187.jpeg 300w, https://www.alphabravobrasil.com.br/wp-content/uploads/2021/02/images-4-400x250.jpeg 400w, https://www.alphabravobrasil.com.br/wp-content/uploads/2021/02/images-4-610x380.jpeg 610w" sizes="(max-width: 702px) 100vw, 702px" /></figure>



<p>Estava sendo um dia arrastado de trabalho, muita papelada, algumas infrutíferas diligências, assim seguia o enfadonho compasso da segunda-feira. Inspetor Chichorro torcia para que os ponteiros do relógio andassem mais rápido, mas ainda era meia noite, restava mais de um quarto de plantão. Além do que, as portas daquela delegacia não cerravam jamais, a rua e suas mazelas estavam a poucos metros de distância, a qualquer momento poderia surgir uma nova demanda, e como uma profecia, o silêncio é interrompido por uma gritaria ao longe, que vai se aproximando até irromper no salão. Dois indivíduos, que insistiam em bater boca entre si, são conduzidos pela PM. </p>



<p>Na dianteira do grupo vem o subtenente Gonçalves, conhecido por sua firme postura e incansável dedicação, que ao perceber a presença de seu amigo no local, o inspetor Tito, logo se dirige até ele. Mesmo não sendo sua vez, o colega de trabalho não repassa o atendimento, e se põe a escutar a descrição dos fatos pelo líder fardado. De modo sucinto explica que a Patamo (comboio treinado para atuar em situações de alto risco) estava passando por uma região, historicamente conhecida como ponto de prostituição, quando avistaram uma agressão mútua envolvendo os indivíduos detidos. Quando apartados, relata que cada um contou uma versão. O sujeito embriagado, de uniforme do trabalho, dizia que estava indo para casa e parou no ponto de ônibus quando foi assaltado pelo travesti, o qual, por sua vez, alegava que foi combinado e realizado o programa íntimo entre os dois, e que o sujeito depois não quis pagar os cinquenta reais acertados. </p>



<p>O subtenente informa que não há testemunhas, tampouco câmeras de segurança no lugar. Resumo finalizado, atipicamente a guarnição da Polícia Militar é dispensada, não fica para as formalidades de praxe. O grupo se despede, livre daquela pitoresca ocorrência, se sente aliviado para seguir seu rumo na guerra sem fim que os aguarda do lado de fora, quem sabe até bater de frente com um comboio de “bandidos de verdade”. O caso em andamento aguça a curiosidade de Chichorro, que fica a imaginar como seu mentor resolverá o imbróglio. Conhece seu parceiro de serviço, sabe de antemão que ele não penderá favoravelmente para qualquer dos lados. Inúmeras vezes ele verbalizou que investigação não pode ser amparada por conveniência, maculada por preconceito. </p>



<p>O novato não ia perder a oportunidade de aprender mais. Recomeçam os xingamentos entre os dois brigões. Imediatamente Tito, com sua voz rouca e num tom estridente, grita: Calem a boca, respeitem a polícia! Emudecem imediatamente. É feita a pesquisa de antecedentes com os documentos de identidade apresentados. Nada consta no nome do porteiro Bonfim, que continua em alto grau de embriaguez, e ostenta uma aliança no dedo anelar esquerdo, tampouco existe registro criminal no nome de batismo da profissional do entretenimento, que usa um microvestido, se equilibra num salto alto e se auto denomina Asturia. Cada qual irredutível, mantem seu enredo. </p>



<p>O calejado policial olha o relógio da parede, três horas foram consumidas nessa confusão. Discretamente vai até o corredor, abaixa mais ainda a temperatura do ar condicionado central. A partir de então, permanece calado, faz sua aposta, espera pacientemente. Duas horas se passam, Asturia, incomodada com o frio intenso, retira de seu sutiã a nota da onça pintada, joga na direção do desafeto, maldiz o bêbado, fala que não tem condições de perder sua carona. De imediato é liberada pelo policial. Sai da delegacia, sobe na garupa do motoboy, vai embora. Tito percebe a contrariedade de seu pupilo, que não concorda com o encaminhamento da questão, afinal, lembra que um dos dois pode ter cometido um crime, ou do art. 157 ou do art. 215 do CP. </p>



<p>O tira experiente, escuta e calmamente contra argumenta. Fala que no fundo, ninguém desejava que fosse adiante aquilo, o ébrio, mesmo que quase tenha sido assaltado, provavelmente fosse tomar uma sonora bronca da esposa por ter exagerado na bebida, além de trazer para si uma dúvida delicada sobre sua reputação. Quanto ao travesti, mesmo que tenha sido trapaceado, amargaria um prejuízo ainda maior caso tivesse que prestar mais e mais esclarecimentos, sendo obrigado a ficar fora das ruas, longe de seu ganha pão. Por último teoriza, diz que na polícia isso era não deixar a bola quicar, enquanto na justiça dá-se o nome pomposo de conflito negativo de competência. Chichorro se resigna, o “antigo” tinha certa razão.</p>



<p>Hélio C. Freitas Filho, agente de polícia federal, carioca, casado, radicado no Espírito Santo, Bacharel em Direito e Administração.</p>
<span class="et_bloom_bottom_trigger"></span>]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.alphabravobrasil.com.br/conflito-negativo-de-competencia/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>As tatuagens desbotam</title>
		<link>https://www.alphabravobrasil.com.br/5580-2/</link>
					<comments>https://www.alphabravobrasil.com.br/5580-2/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lucelio Franca]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Jan 2021 22:26:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Segurança pública]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.alphabravobrasil.com.br/?p=5580</guid>

					<description><![CDATA[]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><div class="et_pb_section et_pb_section_1 et_section_regular">
				
				
				
				
					<div class="et_pb_row et_pb_row_1">
				<div class="et_pb_column et_pb_column_4_4 et_pb_column_1    et_pb_css_mix_blend_mode_passthrough et-last-child">
				
				
				<div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_1 et_pb_bg_layout_light  et_pb_text_align_left">
				
				
				<div class="et_pb_text_inner">
					<p>&nbsp;</p>
<p>As tatuagens desbotam</p>
<p>Fazia um mês em que o agente Rodrigues participara do violento confronto com traficantes na localidade denominada Cidade Alta no Rio de Janeiro, ocasião em que, ao seguirem estritamente a rota indicada pelo aparelho GPS, conforme determinado pela coordenação da operação da Polícia Federal a ser deflagrada naquele dia, sua equipe vinda de Brasília somente para esse propósito, acabou adentrando numa região de alto risco e, quando tardiamente perceberam, já estavam encurralados. Em menor número e em desvantagem bélica, não restou alternativa senão se abrigarem num imóvel abandonado, e de lá fizeram o possível para rechaçarem o avanço de seus agressores, até milagrosamente serem salvos por solidários policiais de outras forças que tão logo souberam da terrível situação vieram a seu encontro resgatá-los. As cenas de guerra ficaram fortemente impregnadas em suas lembranças, recordava-se da ferocidade do ataque surpresa, até das mais diversas reações dos integrantes de seu grupo, cujo chefe formal designado pela simples condição de ser delegado, era muito novo de idade, sem qualquer experiência de combate, que tão atônito, petrificou diante do inesperado conflito, “colou as placas”.</p>
<p>Sem dúvida, era uma data carregada de simbologia, que para muitos dos sobreviventes correspondia a um segundo nascimento diante da extremada situação. Rodrigues, embora também tocado pela emoção das especiais circunstâncias, não se deixava envolver tão completamente por essa vertente mais passional, preferia a análise conjuntural das circunstâncias à época, optava em avaliar de maneira metódica, a fim de identificar os erros e acertos. Para tanto, tratou de convidar a sua residência seu novo amigo e, também agente federal Leandro, que compartilhara da mesma fatídica experiência na favela carioca. Apesar da diferença de tempo de instituição policial entre os dois, o anfitrião já estava com dezessete anos de casa, enquanto seu convidado apenas dois anos, o companheirismo surgido entre ambos foi imediato pós evento que agora era celebrado, regado a algumas taças de vinho.</p>
<p>A aconchegante varanda do<span style="font-size: 17px;"> apartamento se tornara um ponto de encontro de um seleto grupo de operadores da segurança pública, que ali se reunia para tratar dos assuntos relacionados à essa área. A companheira do dono da casa deixava todos a vontade; e, antes de cedo se recolher, já prepara o quarto de hóspede, sabia que a conversa embalada a muitos brindes não permitiria a visita retornar para o lar com segurança. A previsão se confirma e lá pelas tantas, Leandro arregaça a manga esquerda de sua camisa e mostra orgulhoso uma recém tatuagem com os dizeres: “Ninguém fica para trás”, e logo abaixo a data do exaltado evento. Rodrigues compreende a empolgação de seu convidado, o parabeniza com sinceridade pela tattoo fixada na pele, confidencia que no passado também esteve prestes a fazer o mesmo, mas com o passar dos anos, freou essa intenção. </span></p>
<p><span style="font-size: 17px;">Cuidadoso </span><span style="font-size: 17px;">com </span><span style="font-size: 17px;">as palavras para não ser mal interpretado, e provocar lhe desânimo, tenta explicar, que após se trilhar tanto tempo nessa singular profissão, e se deparar com inúmeras desilusões, advindas pela falta de perspectiva em razão da não valorização dos policiais, somado à ausência de uma restruturação interna da corporação, além dos já conhecidos fatores externos, materializados numa visão de intolerância por grande parcela da sociedade em relação ao policial, tido invariavelmente como algoz e parte repressora do Estado, percebeu que seu orgulho não era o mesmo de outrora. Contudo frisou, que mesmo diante de tantos percalços, numa contínua administração de frustrações, ainda assim, a motivação e o compromisso com o bem maior coletivo permaneciam inabaláveis. </span></p>
<p><span style="font-size: 17px;">Leandro escuta atentamente, assimila vagarosamente as palavras do veterano, compreende a dimensão da reflexão, agradece o aconselhamento, e meio tonto, pede licença para ir dormir. Rodrigues caçoa de seu pupilo, permanece sozinho ali bebericando aquela boa safra. Pensativo, preocupado em não ter passado do ponto em suas inflexões, sabia que aquela tatuagem um dia desbotaria, restaria apenas o proferido juramento, conhecia bem esse ciclo, ser policial no Brasil é difícil missão, quase sempre incompreendida.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Hélio C. Freitas Filho, agente de polícia federal, carioca, casado, radicado no Espírito Santo, Bacharel em Direito e Administração.</p>
				</div>
			</div> <!-- .et_pb_text -->
			</div> <!-- .et_pb_column -->
				
				
			</div> <!-- .et_pb_row -->
				
				
			</div> <!-- .et_pb_section --></p>
<span class="et_bloom_bottom_trigger"></span>]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.alphabravobrasil.com.br/5580-2/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Policial de folga é apenas uma abstração jurídica</title>
		<link>https://www.alphabravobrasil.com.br/policial-de-folga-e-apenas-uma-abstracao-juridica/</link>
					<comments>https://www.alphabravobrasil.com.br/policial-de-folga-e-apenas-uma-abstracao-juridica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lucelio Franca]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Oct 2020 21:34:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reforma Policial]]></category>
		<category><![CDATA[Segurança pública]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.alphabravobrasil.com.br/?p=5562</guid>

					<description><![CDATA[Brandão estava esgotado, saíra há pouco do plantão de vinte e quatro horas, não pregara o olho um minuto sequer. Desde que estava em seu novo batalhão, fora o dia de serviço mais puxado até então. Incursionara ainda na manhã do dia anterior numa comunidade conflagrada pela guerra de duas facções. Sua equipe obtivera êxito, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Brandão estava esgotado, saíra há pouco do plantão de vinte e quatro horas, não pregara o olho um minuto sequer. Desde que estava em seu novo batalhão, fora o dia de serviço mais puxado até então. Incursionara ainda na manhã do dia anterior numa comunidade conflagrada pela guerra de duas facções. Sua equipe obtivera êxito, prendendo diversos bandidos, apreendendo muitas armas e entorpecentes, e fechando com chave de ouro, ainda libertou uma família feita refém no alto do morro. Estava orgulhoso, porém exaurido, chegara em casa de manhãzinha, e mesmo assim, sabia que não teria tempo para repousar. Tinha sido convidado a participar de uma cerimônia de batismo. Seria padrinho do filho de um colega de farda. Só dera tempo de tomar uma ducha fria, engolir um café amargo, abocanhar alguns pedaços de pão com manteiga preparados por sua esposa, a quem beijou no rosto e no arredondado ventre, tentando se conectar com o bebê de oito meses que ali abrigava.</p>
<p><!-- --></p>
<p>Prestes a ser pai pela primeira vez, vivia uma fase feliz. Conseguira preparar o quarto do herdeiro a tempo, ajeitando pessoalmente cada detalhe. Sua habilidade era evidente, mas a necessidade de economizar recursos era preponderante. Juntara dinheiro suficiente para comprar financiado um veículo usado. Ufa, estão prontos, mas antes de sair, tateia sua cintura, certifica-se que sua pistola está junto ao corpo. Impensável andar desarmado, tinha consciência de que sua escolha profissional, sua coragem operacional impunham-lhe um alto preço a pagar. Sabia que colecionava desafetos, criminosos já o haviam ameaçado. Pensava, policial de folga é apenas uma abstração jurídica. A guerra diária travada não obedecia a horários normais do trabalho comum, tampouco se restringia a áreas geográficas delimitadas. Não podia ser surpreendido, jamais estar desprevenido. Colocam os pés na calçada, sem imaginar que suas vidas mudariam num segundo.</p>
<p><!-- --></p>
<p>O prédio não tem garagem, dirigem-se ao veículo estacionado, porém, repentinamente se aproximam dois sujeitos numa moto. Um deles, o garupa, levanta uma arma, agressivamente anuncia: passa a bolsa, o celular e a chave do carro. Brandão não hesita, instintivamente, em defesa própria e da companheira Maria, saca a pistola, porém, mais rápido, o bandido atira, mas a munição picota. Há o revide, acerta o bandido mais de uma vez por baixo da axila, que ferido segura firme o motociclista até cair mais à frente na esquina, agonizando até perder a vida. O policial atônito, só tem olhos para sua doce querida, que em pânico, desmaia com todo o ocorrido. Não tem ninguém que possa ajudar, com muito esforço coloca a deitada no banco de trás do veículo. Sai em disparada até o pronto socorro, instantes de agonia. Surge uma pessoa na janela, despertada pelos estampidos, e curiosa, já com o celular na mão, passa a filmar só a partir desse ponto. Posta o vídeo em seguida na rede social, anuncia que acabara de ver um policial, seu vizinho, atirar em um rapaz, não demora, viraliza. Aos poucos, pessoas brotam na rua e ao redor do corpo se colocam. Ninguém viu desde o início, mas cada um arrisca um palpite, até firmar veredito. A arma do bandido desaparece do local do crime, não existe preservação, tudo vira uma grande confusão. Imprensa meia hora depois chega, mas já antecipa quem é a vítima daquilo que chama de briga, incita, especula, deve ser coisa de milícia.</p>
<p>O rapaz morto, não tinha antecedentes, ajudava a família, que omite acerca de seus pequenos delitos. Enquanto isso, Brandão na antessala da cirurgia, recebe a notícia, seu bebê não resiste, virou anjo, partiu desta vida. Não assimila, o golpe é terrível. Preocupa-se também com a saúde de sua Maria, mal raciocina. Nem imagina, paralelo a tudo isso, que o caso ganhou repercussão, fora acusado de execução, de omissão, até de extorsão. Seu rosto aparece na edição de um jornal de grande circulação, é exposto à exaustão. Manchetes anunciam, policial de folga atira, assassina um inocente. Cedendo à pressão, governo faz declaração, exige retidão, não vai tolerar qualquer infração, aumenta a imposição. Especula-se todos os motivos do sumiço do Brandão. As horas passam, absorto, não se dá conta, que há muito está incomunicável, e surpreendido fica, quando uma equipe investigativa da polícia, ainda no hospital o prende em flagrante delito. Só dá tempo de pedir para avisar a companheira sedada, que ele não vai poder estar lá quando ela acordar. Na delegacia, narra os fatos, dá sua versão desconhecida, argumenta que agiu em legítima defesa, explica seu comportamento para sair do local daquela maneira. O delegado escuta, mas suspeita que ele esteja apenas ganhando tempo. Adverte, melhor contratar um advogado. Afloram os pré-julgamentos, é acusado sem compaixão, sem perdão, vira rapidamente um vilão.</p>
<p><!-- --></p>
<p>Não bastasse toda a situação, suas escassas economias vão acabando, consumidas com tantas despesas não previstas. Vai para a prisão, tudo passa a ser de difícil comunicação, sem poder dar toda a explicação, e para piorar, segundo a justiça estão presentes os requisitos para converter em preventiva, sob a alegação de que é um perigo à população. Prevê, vai se alongar essa detenção, rasga-se a Constituição. Trinta dias se passam até que a filmagem de um comércio aparece, e finalmente exibe toda a extensão, confirmando sua narração, embora poucos acreditassem nessa versão. Liberdade tardiamente obtida, reflete, percebe, entristece, aniquilaram sua reputação. Botar a farda de novo, continuar na missão. Será que vale a pena seguir só com o coração e deixar de lado a razão? Persistia a reflexão.</p>
<p><!-- --></p>
<p>A Legítima defesa é uma causa de exclusão da ilicitude que se caracteriza pela existência de agressão ilícita, atual ou iminente, a direito próprio ou alheio, que pode ser repelida usando-se moderadamente dos meios necessários. No direito brasileiro, essa situação justificante encontra-se positivada no art. 23, II, e no art. 25, ambos do Código Penal.</p>
<p><!-- --></p>
<p>Hélio C. Freitas Filho, agente de polícia federal, carioca, casado, radicado no Espírito Santo, Bacharel em Direito e Administração</p>
<p><!-- --></p>
<span class="et_bloom_bottom_trigger"></span>]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.alphabravobrasil.com.br/policial-de-folga-e-apenas-uma-abstracao-juridica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Encontro Nacional dos Profissionais de Operações Especiais (ENPOE)</title>
		<link>https://www.alphabravobrasil.com.br/encontro-nacional-dos-profissionais-de-operacoes-especiais-enpoe/</link>
					<comments>https://www.alphabravobrasil.com.br/encontro-nacional-dos-profissionais-de-operacoes-especiais-enpoe/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Beto Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Jul 2018 20:13:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Eventos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.alphabravobrasil.com.br/?p=5149</guid>

					<description><![CDATA[]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><div class="et_pb_section et_pb_section_2 et_section_regular">
				
				
				
				
					<div class="et_pb_row et_pb_row_2">
							<div class="et_pb_column et_pb_column_4_4 et_pb_column_2    et_pb_css_mix_blend_mode_passthrough et-last-child">
				
				
				<div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_2 et_pb_bg_layout_light  et_pb_text_align_left">
				
				
				<div class="et_pb_text_inner">
					A Associação Brasileira de Operações Especiais (ABOpEsp) estará realizando na cidade de Cuiabá-MT, o Encontro Nacional dos Profissionais de Operações Especiais (ENPOE) que ocorrerá dos dias 06 a 10 de agosto de 2018. O ENPOE tem por objetivo principal integração e interação entre os Profissionais que atuam nas atividades de Operações Especiais, fins de socializar boas práticas, discutir, evoluir e solidificar doutrinas, padronizar procedimentos, bem como, criar padrões e requisitos mínimos para atuação dos Operadores nas suas mais diversas especialidades ligadas às Operações Especiais. Assim sendo, o convite é extensivo a todos os integrantes das Unidades Operações Especiais de Vossa honrada Instituição, especialmente os que são possuidores de Curso de Operações Especiais com experiência para contribuir com evento. Aos associados da ABOpEsp, solicito de Vossa Senhoria os bons préstimos de oportunizar que se façam presentes para engrandecer e prestigiar o evento, e que possam participar da votação em Assembleia Geral de posse das Diretorias Estratégicas. Durante o ENPOE serão realizadas palestras com apresentação de trabalhos científicos ligados a atividade de Operações Especiais, e serão realizadas diversas oficinas e grupos de trabalho para produção de conhecimento em conjunto visando melhorar as condições de atuação dos integrantes das Unidades de Operações Especiais.
				</div>
			</div> <!-- .et_pb_text -->
			</div> <!-- .et_pb_column -->		
				
				
			</div> <!-- .et_pb_row -->	
				
				
			</div> <!-- .et_pb_section --></p>
<span class="et_bloom_bottom_trigger"></span>]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.alphabravobrasil.com.br/encontro-nacional-dos-profissionais-de-operacoes-especiais-enpoe/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Do Novo Cangaço ao Domínio de Cidades</title>
		<link>https://www.alphabravobrasil.com.br/do-novo-cangaco-ao-dominio-de-cidades/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alpha Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Jun 2018 22:27:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Facções Criminosas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.alphabravobrasil.com.br/?p=4845</guid>

					<description><![CDATA[Ricardo Matias Rodrigues* RESUMO: Este artigo tem como objetivo mostrar a evolução crescente do Novo Cangaço no cenário da criminalidade violenta brasileira, desde sua origem periférica, no sertão nordestino, até o surgimento de uma inédita e emergente modalidade do crime organizado em nível nacional: o Domínio de Cidades. O trabalho traça, ainda, reflexões sobre as [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="p2">Ricardo Matias Rodrigues*</p>
<p>RESUMO: Este artigo tem como objetivo mostrar a evolução crescente do Novo Cangaço no cenário da criminalidade violenta brasileira, desde sua origem periférica, no sertão nordestino, até o surgimento de uma inédita e emergente modalidade do crime organizado em nível nacional: o Domínio de Cidades. O trabalho traça, ainda, reflexões sobre as consequências nefastas que deverão afetar grande parte da população em um breve futuro, caso medidas policiais e judiciárias urgentes e integradas não sejam tomadas.</p>
<p>1 – INTRODUÇÃO<br />
As ações do Cangaço, termo que se refere à insurgência armada que atuou no Nordeste brasileiro, sob a justificativa de combater injustiças sociais, envolveram violência que deixou marcas indeléveis no imaginário sertanejo, espalhando-se como modalidade criminosa para o resto do país. É um fenômeno de banditismo universal, conforme Frederico Pernambucano de Mello2.<br />
Virgulino Ferreira, o Lampião, líder e expoente máximo do controverso movimento marginal do Brasil à época, potencializou o alcance de invasões, saques e assassinatos em nível nacional. Foi romanceado, cantado, filmado, pintado, louvado e, inclusive, execrado em verso e prosa. E ainda noticiado em publicações midiáticas espetaculosas, que mostraram a força do poder público: combateu e cortou o mal pela raiz, decapitou e criou mártires.<br />
Seria bom que Lampião e seus seguidores descansassem em paz nas páginas de importante capítulo da História brasileira. Porém, a dinâmica de acontecimentos criminosos em cadeia não é tão simples assim. Na verdade, é bem complexa.</p>
<div class="swpm-more-tag-not-logged-in swpm-margin-top-10">Você precisa acessar sua conta para ver todo o conteúdo. Por favor <a class="swpm-login-link" href="https://alphabravobrasil.com.br/membership-login/">Acessar</a>. Não é um membro? <a href="https://alphabravobrasil.com.br/membership-join/">Junte-se a nós</a></div><span class="et_bloom_bottom_trigger"></span>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Crimes Contra Instituições Financeiras e os Novos Desafios da Segurança Pública</title>
		<link>https://www.alphabravobrasil.com.br/crimes-contra-instituicoes-financeiras-e-os-novos-desafios-da-seguranca-publica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alpha Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Jun 2018 22:18:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Base de Valores]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.alphabravobrasil.com.br/?p=4841</guid>

					<description><![CDATA[Lucélio Ferreira M. F. França* Historicamente, o homem busca compreender os conflitos sociais a fim de mediá-los pacificamente e promover a paz social. Isso pôde ser observado mesmo quando o poder punitivo ainda existia apenas na instância privada e o Estado não era organizado o suficiente para avocar e criar suas leis. Nesse contexto, submerso [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Lucélio Ferreira M. F. França*</p>
<p>Historicamente, o homem busca compreender os conflitos sociais a fim de mediá-los pacificamente e promover a paz social. Isso pôde ser observado mesmo quando o poder punitivo ainda existia apenas na instância privada e o Estado não era organizado o suficiente para avocar e criar suas leis. Nesse contexto, submerso na imensidão seca e esquecida do sertão nordestino, nos idos de 1500, coexistiam figuras como senhores de terras, pequenos agricultores e aqueles que empunhavam armas em defesa própria, de um grupo ou de outros que os remunerassem. Mesmo com todo o esforço do Estado em controlar as pessoas em seu território, naqueles rincões, a distância e a pobreza ainda eram uma imensa barreira a ser superada. Prevalecendo, assim, a lei do mais forte. Com o passar de quase 500 anos, o Estado foi organizando-se e se fazendo mais presente, em especial com sua legislação. Eis que temos os novos conflitos. Agora, pessoas, que sempre foram a própria solução de seus problemas, haviam que recorrer ao Estado, em algum lugar, sob pena de serem colocadas à margem da lei por ações corriqueiras de outrora. E quem ganhava a vida empunhando armas e promovendo a justiça da conveniência passa de caçador a caça. Não foi diferente com Lampião após ter alguns membros da família mortos e, ao revidar na mesma moeda, passa então para a condição de criminoso, o que não o exime dessa condição. Como qualquer outro fora da lei, Virgulino Ferreira escolhe o caminho do antigo valentão e se torna um ícone, mesmo porque essa era a cultura arraigada secularmente naquele povo. Tanto é verdade que não custou para se formarem grandes bandos de criminosos que perambulavam pelo sertão vivendo de saques, de roubos, de pistolagens e até mesmo da “reintegração de posse” a mando de grandes fazendeiros. Outro fato que vem corroborar com a relevância tomada por suas ações foi a patente de Capitão concedida a Lampião, pelo Estado, para que ele combatesse a Intentona Comunista em 1935.</p>
<p>Major da Polícia Militar de Mato Grosso, Bacharel e Especialista em Segurança Pública pela Academia de Polícia Militar Costa Verde e trabalha com roubos a instituições financeiras desde 2009. Nessa trajetorisa de trabalho passou pelo BOPE, GAECO e ROTAM e atualmente labora no setor de planejamento da PMMT.</p>
<span class="et_bloom_bottom_trigger"></span>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Ataques às Bases de Transportes de Valores: Um Crime Comum no Brasil</title>
		<link>https://www.alphabravobrasil.com.br/ataques-as-bases-de-transporte-de-valores-um-crime-comum-no-brasil/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alpha Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Jun 2018 21:05:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Base de Valores]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.alphabravobrasil.com.br/?p=4827</guid>

					<description><![CDATA[Por Romildson Farias Uchôa* É perceptível que as ações criminosas estão em constante evolução no mundo inteiro. Quadrilhas se fortalecem com os valores roubados e investem em tecnologia, armamento e metodologia de ataque. Porém, não existe lugar no mundo onde tal evolução da criminalidade e seus reflexos sejam mais sentidos do que no Brasil. Um [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Por Romildson Farias Uchôa*</p>
<p>É perceptível que as ações criminosas estão em constante evolução no mundo inteiro. Quadrilhas se fortalecem com os valores roubados e investem em tecnologia, armamento e metodologia de ataque.<br />
Porém, não existe lugar no mundo onde tal evolução da criminalidade e seus reflexos sejam mais sentidos do que no Brasil. Um exemplo latente e atual é o ataque às transportadoras de valores. Tais empresas são responsáveis pela proteção de milhões de reais que circulam pelo país e por bilhões de reais que permanecem em custódia diariamente. Assim, o trabalho das empresas de transporte de valores permite o fluxo do meio circulante, proporcionando o andamento da atividade comercial, o funcionamento dos caixas eletrônicos e bancos, por exemplo, providos de dinheiro.</p>
<div class="swpm-more-tag-not-logged-in swpm-margin-top-10">Você precisa acessar sua conta para ver todo o conteúdo. Por favor <a class="swpm-login-link" href="https://alphabravobrasil.com.br/membership-login/">Acessar</a>. Não é um membro? <a href="https://alphabravobrasil.com.br/membership-join/">Junte-se a nós</a></div><span class="et_bloom_bottom_trigger"></span>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
